Bingo Pé Quente
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História do Bingo

B-I-N-G-O: a história de quase 500 anos do jogo que junta o mundo numa mesa

15 de junho de 20267 min de leitura
Salão lotado de um bingo beneficente, com muitas pessoas do público 50+ jogando suas cartelas em volta das mesas

Você senta numa cadeira, recebe uma cartela, e espera uma voz cantar números. Parece simples. Mas esse gesto tem quase cinco séculos de história e atravessou impérios, igrejas, guerras e leis até chegar à mesa da sua família.

Tudo começou na Itália, em 1530

O bisavô do bingo nasceu na Itália por volta de 1530, com o nome de "Lo Giuoco del Lotto d'Italia" — uma loteria nacional. E ela nunca parou: o sorteio ainda acontece todo sábado na Itália, séculos depois. Foi também na Itália, em Nápoles, no século 18, que surgiu a tombola — a versão com cartelas, fichas e alguém "cantando" os números, que as famílias italianas no Brasil conhecem bem.

Do salão francês à escola alemã

O salto que criou o jogo que reconhecemos veio da França, em 1778, com "Le Lotto" — a cartela com números em linhas e colunas e a ideia de que completar uma linha = vitória. Esse esqueleto tem mais de 240 anos. Quase um século depois, já no século 19, a Alemanha deu ao jogo um uso inesperado: professores usavam as cartelas para ensinar crianças a soletrar e a fazer contas.

Como o "Beano" virou "Bingo" — nos Estados Unidos

No começo dos anos 1920, nos Estados Unidos, o empresário Hugh J. Ward padronizou o jogo nas feiras e parques de diversão, e publicou um manual de regras em 1933. Como se marcava a cartela com grãos de feijão ("beans"), o jogo se chamava "Beano".

A virada veio em dezembro de 1929: o vendedor de brinquedos nova-iorquino Edwin S. Lowe viu o "Beano" numa feira perto de Atlanta. Levou a ideia pra casa, no Brooklyn, e — conta a Wikipédia — numa partida com amigos uma jogadora ficou tão empolgada ao vencer que gritou "Bingo!" em vez de "Beano!". O nome pegou. Lowe fundou a E. S. Lowe Company e passou a vender o jogo em caixas.

Aí veio um problema prático: com poucas cartelas diferentes, muita gente vencia ao mesmo tempo. Para resolver, conta-se que Lowe contratou o matemático Carl Leffler, da Universidade Columbia, para criar cerca de 6.000 cartelas únicas. Reza a lenda — e a própria enciclopédia trata isso como mito, não fato comprovado — que o esforço teria deixado Leffler louco.

1530

o ano em que tudo começou, na Itália

1778

a cartela em linhas e colunas nasce na França

~6.000

cartelas únicas atribuídas a Carl Leffler

10 mil

partidas por semana nos EUA já em 1934

Como o bingo virou febre — igreja, escola e polêmica

Da empresa de Lowe, o jogo se espalhou rápido. Estima-se que, já em 1934, os americanos jogavam cerca de 10.000 partidas de bingo por semana. Boa parte desse crescimento veio de igrejas e escolas, que usavam o bingo para arrecadar fundos — e a Igreja Católica foi especialmente ativa nisso durante a Grande Depressão, quando o dinheiro era curto.

Mas aqui vale a verdade completa, sem suavizar: esse bingo beneficente era, naquela época, muitas vezes ilegal. A maior parte dos estados americanos só mudou as leis nas décadas de 1940 e 1950 para permitir o jogo de caridade. E houve um efeito curioso, apontado pelo professor de direito I. Nelson Rose: ao passarem a operar o bingo, as igrejas acabaram enfraquecendo o próprio discurso contra o jogo. Ou seja: o bingo não teve só padrinhos. Teve defensores, críticos e uma legalidade que demorou a se acertar.

Foi nesse período que se firmou a cartela que usamos até hoje — cinco colunas, as letras B-I-N-G-O e o espaço livre no meio:

B
I
N
G
O
3
19
38
52
68
11
24
31
47
61
7
16
Livre
59
72
1
29
45
50
75
14
22
33
46
63
Cada coluna tem sua faixa de números — B: 1–15, I: 16–30, N: 31–45, G: 46–60, O: 61–75.

E no Brasil?

No Brasil, o bingo não tem uma certidão de nascimento com data exata — e quem disser que tem, está chutando: não há consenso sobre o ano em que chegou. O que se sabe é como ele entrou no cotidiano: pela porta da festa popular. A quermesse (palavra que vem do flamengo *kerkmisse*) e a festa junina foram dois palcos antigos do jogo — mas, com o tempo, o bingo se espalhou muito além delas.

No papel, a história do bingo no Brasil é uma briga de quase um século entre o jogo e a lei. Vale acompanhar — porque é ela que explica por que o bingo de cassino e o bingo da quermesse viraram coisas tão diferentes:

  1. 1941

    O Decreto-Lei 3.688 (Lei das Contravenções Penais), no artigo 50, classifica a exploração de jogos de azar como contravenção. Vale até hoje.

  2. 1946

    O presidente Dutra fecha os cassinos (Decreto-Lei 9.215).

  3. 1971

    A Lei 5.768 organiza os sorteios beneficentes, exigindo autorização.

  4. 1993

    A "Lei Zico" (Lei 8.672) libera o bingo para entidades esportivas. Começa o boom das casas de bingo.

  5. 1998

    A "Lei Pelé" (Lei 9.615) mantém e regulamenta a exploração.

  6. 2000

    A "Lei Maguito" (Lei 9.981) revoga essas regras, com efeito a partir de 31 de dezembro de 2001.

  7. 2004

    Em 20 de fevereiro, o presidente Lula assina a Medida Provisória 168, proibindo bingos e caça-níqueis. O Congresso depois rejeita a medida — mas o ano ficou marcado pelo "escândalo dos bingos" e por uma CPI no Senado.

Quem usa o bingo beneficente hoje — e quantos jogam

Sai do noticiário e entra no salão: é aqui que o bingo trabalha de verdade no Brasil de hoje. Ele é uma das ferramentas de arrecadação mais usadas pelo terceiro setor, e entidades de todo tipo organizam bingos o ano inteiro para custear suas atividades. Alguns exemplos reais e recorrentes:

  • APAEs (Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais) — uma das maiores redes de assistência do país, com mais de 2.200 unidades e mais de 700 mil pessoas atendidas. Os bingos das APAEs acontecem o ano todo: o de São Caetano do Sul reuniu mais de 800 pessoas para ampliar a área de saúde da entidade; outros, de Ji-Paraná (RO) a Rio das Antas (SC), fazem o mesmo.
  • Santas Casas e hospitais filantrópicos — em Descalvado (SP), um único bingo da Santa Casa arrecadou R$ 32.541 para o hospital.
  • Escolas, creches e projetos sociais, associações de moradores, clubes de serviço (Rotary, Lions), asilos e casas de repouso e organizações da sociedade civil (OSCs) em geral — todos recorrem ao bingo para custear obras, equipamentos e atividades.

Legalmente, esse caminho existe: a Lei 5.768/1971 permite que entidades filantrópicas façam sorteios mediante autorização federal prévia (hoje pela Secretaria de Prêmios e Apostas, regras na Portaria SEAE/ME 7.638/2022). Ainda é um terreno com zonas cinzentas — a Receita já fiscalizou entidades por bingos, e há projetos de lei em 2025 para dar mais segurança jurídica a quem depende dessa renda.

E quanto a gente joga? Uma pesquisa do instituto Hibou (agosto de 2024, com 2.839 pessoas de todas as classes) mostrou que 68% dos brasileiros participam de algum jogo ou aposta. Nesse levantamento, o bingo apareceu com 10% das respostas — ou seja, 1 em cada 10 entrevistados disse que joga. Numa amostra desse tamanho é um retrato, não um censo; mas dá a ordem de grandeza: bingo não é coisa de nicho. Ele fica atrás da loteria (47%) e das rifas (25%), praticamente empatado com as apostas esportivas (11%) e à frente dos cassinos online (8%).

68%

dos brasileiros participam de algum jogo ou aposta

10%

jogam bingo — quase como as apostas esportivas

2.200+

unidades da APAE que recorrem ao bingo beneficente

R$ 32 mil

arrecadados em um único bingo da Santa Casa

O que sobrou — e por que ainda importa

Tira a fumaça das máquinas caça-níqueis e do escândalo, e o que resta é a coisa mais simples do mundo: gente reunida, uma voz cantando números, e a alegria de gritar a palavra. Esse bingo — o da quermesse, o do bingo da APAE, o da mesa de domingo — nunca foi sobre dinheiro, e nunca deixou de existir.

É esse bingo que o Bingo Pé Quente carrega: um aplicativo recreativo, de prêmio simbólico (uma cesta, um bolo, um troféu), sem apostas e sem dinheiro — dentro do que a lei brasileira sempre permitiu para o uso familiar e beneficente. A gente não inventou o bingo: ele tem quase 500 anos. A gente só quis pegar essa história toda e guardar com carinho dentro do seu celular.

Da loteria italiana de 1530 ao bingo beneficente do seu bairro, o jogo sempre fez a mesma coisa: juntar as pessoas.

Bingo Pé Quente, nunca mais perca um número.

Fontes

Reúna quem você ama no próximo Bingo

Veja como é simples jogar e organizar com o Bingo Pé Quente.